Conheça o Pé na Escola, iniciativa que reúne direito e educação para ensinar jovens alunos

03 de junho de 2016

Postado por Microsoft Educação em Notícias Educação, Sem categoria

Durante os primeiros anos da faculdade de direito da USP, por volta de 2008, quatro amigos se uniram com outros colegas para se dedicar a um projeto de extensão universitária de educação chamado RELER. Por conta desse projeto, os então estudantes Bruno Bissoli, Mariana Vilella, Renata Ferraz e Vanessa Pinheiro descobriram que a educação era uma causa em comum. A partir daí, criaram o projeto Pé Na Escola, que tem como objetivo levar para as escolas temas como diversidade, participação política e o respeito às singularidades.

“Nos envolvemos com uma rede incrível de pessoas que têm se mobilizado para transformar a educação brasileira, criando novas instituições, questionando a própria ideia de escola, viajando o Brasil mapeando experiências de inovação na educação, olhando para nossa história, apresentando um novo mundo possível por meio de livros e filmes financiados coletivamente. Reunimos muitas dessas pessoas em dezenas de encontros de imersão abertos e gratuitos para falarmos de educação”, conta Vanessa Pinheiro, uma das sócias da iniciativa.

Dessa forma, os quatro sócios começaram a elaborar e aprofundar o projeto, com o objetivo de contribuir para uma educação mais significativa, abrangendo os temas relevantes para o nosso tempo. “Na esteira desse percurso de aprofundamento contínuo e reinvenção, transformamos, em setembro de 2015, após oito anos de experiências juntos no mundo da educação, o que era projeto em empresa. Ou melhor, em um negócio social”, afirma Vanessa.

Assim nasceu o Pé Na Escola, desenvolvendo conteúdos e experiências de educação política para diferentes públicos, como escolas, empresas, universidades e cursos pré-vestibulares. Para a sócia do projeto, a educação política criativa promove a convivência na diversidade, entre outros temas socialmente relevantes. “Tratamos de temas que envolvem direitos humanos e cidadania por meio de jogos e jornadas políticas; simulações de audiências judiciais, parlamentares e executivas; palestras, workshops e cursos vivenciais; projetos de responsabilidade social e ação no território; pesquisas e produção de conteúdos; sempre com a intenção de promover a inovação da educação”, explica uma das sócias do projeto.

Um exemplo é o jogo “Criando um país”, em que adolescentes, em suas escolas, divididos em pequenos grupos, criam países a partir de perguntas orientadoras. Em

seguida, há um encontro maior em que as escolhas de cada grupo são apresentadas aos colegas, que podem questioná-las, gerando debates sempre ricos e plurais. Ao final, os educadores falam sobre a história da Assembleia Constituinte que definiu as normas da Constituição Federal de 1988. O objetivo é promover um contato criativo com a História do Brasil e refletir sobre nossa democracia a partir do universo e da expressão dos estudantes.

De acordo com Vanessa, houve uma mudança importante em relação ao comportamento dos jovens estudantes diante dos tempos enfrentados. “Hoje, os próprios estudantes adolescentes pedem de suas escolas conteúdos mais aliados com a realidade atual e formatos mais horizontais e colaborativos. Muitos adolescentes se interessam por temas como racismo, liberdade religiosa, igualdade de direitos entre os gêneros, reforma política, direitos constitucionais e, inclusive, levam esses temas para suas escolas, criando coletivos e grupos de trabalho auto-organizados”, afirma.

O foco em alunos de pré-vestibular é importante justamente por essas mudanças, uma vez que as provas têm se relacionado cada vez mais a direitos humanos e política. O Pé Na Escola adaptou suas ferramentas pedagógicas para trabalhar com este público, convidando vestibulandos para participarem de debates e atividades que ajudam a desenvolver um pensamento reflexivo, que irá ajuda-los, inclusive, na vida adulta. “Alguns processos seletivos para universidades brasileiras e estrangeiras têm fase oral e exigem dos candidatos desenvoltura e capacidade de argumentar em voz alta, respeitar as regras, ouvir. Habilidades que são fundamentais para uma vida universitária e profissional mais ativa e engajada. Além disso, são jovens que estão pensando que papel terão na sociedade e essas vivências podem ajudá-los a imaginar quais são os problemas que querem resolver no mundo”, conta Vanessa.

Por outro lado, a instabilidade política dos últimos tempos tem trazido um novo desafio para o projeto, com o clima de desconfiança generalizado e o medo que a educação seja instrumentalizada para finalidades político-partidárias. “No entanto, educação política criativa é o contrário de qualquer instrumentalização ou doutrinação na educação. A doutrinação pressupõe a existência de uma verdade absoluta, detida pelo professor, e isso é posto em cheque quando há diálogo e espaço para as vozes dos estudantes. Não podemos ter preconceito com a palavra “política”. Sobretudo, em tempos de crise, a gente precisa dela, não em seu sentido imediatista, mas em seu caráter grandioso de possibilidade de criar o que não existe a partir de pessoas com visões muito diferentes da realidade, por meio do diálogo. O Pé na Escola é apartidário e acredita na liberdade de pensamento, no diálogo e na diversidade de opiniões, crenças e posições políticas”, enfatiza.

O projeto trabalha com escolas públicas e privadas, que, nem sempre, têm projetos pedagógicos parecidos. Em comum entre essas instituições, há o interesse em levar temas relacionados a direitos humanos e política para dentro da sala de aula, por entenderem que é um tipo de informação imprescindível para os jovens do século XXI.

Além disso, o projeto também acredita que tecnologias digitais são um dos pilares da sociedade atual, uma vez que, por esses meios, os jovens se informam e discutem sobre política. “Ferramentas como jogos digitais, vídeos, blogs, plataformas de armazenamento e compartilhamento de dados, aplicativos e redes sociais, por exemplo, convidam os jovens a criar mundos, discutir política, se informar, ser protagonista de seu processo educativo. Para nós, tecnologias sociais trabalham com tecnologias digitais de forma complementar para desenvolver empatia, capacidade para resolver conflitos, colaboração e criatividade”, finaliza Vanessa.

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